A lição é antiga. Está nas Escrituras: “Ninguém deita remendo de pano novo, em veste velha, porque semelhante remendo rompe a veste e faz-se maior a rotura”.

 Tenhamos independência e coragem ao falar. A única solução capaz não só de tirar o Brasil desta crise institucional, mas, também, evitar que outra se instale adiante é aquela que promova uma ruptura absoluta com o sistema e o regime que aí estão afastando os responsáveis pelo caos e pela desonra da Nação.

 Fora disso, nada se acrescenta. Pode colocar a economia em ritmo de crescimento da forma que quiser, entretanto esses malditos de Brasília tudo contornarão para quebrar o País novamente.

 Dou um exemplo: Não há na face da Terra notícia de que uma companhia de seguros tenha quebrado. Pois aqui, a maior seguradora do mundo – o INSS – quebrou e não há quem conserte.

Não tem alguém tão ingênuo ou idiota que acredite que a atual proposta de reforma da Previdência Social vá resolver o problema definitivamente. Não vai. A classe política patife e as corporações dos nababos do serviço público vão destrui-la novamente. Quem viver verá.

A máquina pública, corrupta e inoperante, custa ao Brasil muito mais do que se pode suportar. No fundo este é o tal “Custo Brasil”. Pois bem, ou acabamos com isto ou definitivamente declaramos nossa incompetência, como Nação.

O mais incrível de tudo é que a camarilha de sempre protege e justifica suas prerrogativas e privilégios dizendo e propagando que esse é o custo da democracia.

Não, não é. Este é o custo de um regime injusto, perverso e vilão, onde o Estado é o grande transgressor. Um regime realmente democrata – do povo para o povo – começaria por se livrar de quem explora os cofres públicos e nada produz.

Brasília não produz um grão de arroz. Se uma hecatombe a destruísse, de uma hora para outra, poupando o povo honesto e trabalhador naturalmente, o Brasil nada sofreria e passaria a ser surpreendido por uma enorme poupança, que com sobras custearia os gastos com educação, saúde e segurança.

Penso que se a ruptura institucional viesse, pelas mãos do povo e com o respaldo das Forças Armadas, o povão inteiro, com exceção da esquerda fundamentalista e delinquente ou dos conhecidos sanguessugas do erário, exultaria de alegria. Duvido e faço pouco que o povo trabalhador, honesto e patriota levantaria um só dedo para defender os execrados.

Avaliem a alegria de nossa gente, de Norte a Sul do País, ao tomar conhecimento de que a classe política desprezível e abjeta foi colocada a ferros; que os Mandarins da República com suas capas pretas e em seus castelos foram apeados de suas regalias e privilégios e obrigados a trabalhar “de carteira assinada”, como qualquer cidadão comum; que os príncipes do executivo, do legislativo e do judiciário não pudessem receber, a qualquer titulo, mais do que vinte salários mínimos de remuneração total (e olha que é muito) e se vissem obrigados a cumprir horário de trabalho, com cartão de ponto inclusive, tal qual um trabalhador da iniciativa privada; que os ladrões e espertíssimos donos dos Sindicatos, das Fundações, das Ong’s da vida e das Corporações de Classe fossem impedidos de viver a custa das respectivas entidades e estas, por sua vez, proibidas de arrecadar de seus participantes ou receber dos cofres públicos qualquer quantia e muito menos compulsoriamente; que não houvesse mais: palácios ou residências funcionais fornidas com seus serviçais e carros oficiais; salas e salões ricamente decorados; cartões corporativos, gratificações de confiança e seus inconfiáveis gratificados; séquitos de secretárias e assessores e “otras cositas más”.

É uma pena. Isso representaria pequenas e emblemáticas providências, parte de uma grande transformação do Brasil numa Nação mais igual, mais justa e mais séria.

Porém atenção: É disso tudo que Brasília “foge como o diabo da cruz”. Vejam como já se movimentam os demônios de sempre – todos delatados na “Lava Jato” – para, pregando uma solução constitucional que afaste a crise do momento, escolher um comparsa deles, de modo que fique “tudo como dantes no quartel d’Abrantes”.

A propósito, aí vai um alerta ao povão de verde e amarelo que já foi para as ruas. Um pessoal da “Suprema Roupa Velha” está prontinho para destruir a “Lava Jato”, quer impedindo a prisão de novos investigados quer libertando os bandidos presos.

Essa trupe que lá está, no executivo, no legislativo e no judiciário é a roupa velha. Nossa gente pacífica e trabalhadora é o pano novo. É insano e perverso continuar mantendo costurado o sofrido esforço do povo  ao que há de mais velhaco e sórdido.


Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado – email: [email protected]

Publicado originalmente no Diário do Poder.

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