Um artigo do arquiengajado Janio de Freitas na Folha de S. Paulo, jornal de militância esquerdista, deixa claro por que a ventriloquia do general Mourão deve merecer toda atenção dos quase 60 milhões de eleitores que conduziram o intrépido Jair Bolsonaro à Presidência da República.

Ao afirmar que Mourão “tem encontrado receptividade” em manifestações que surpreendem por conviverem com o “senso comum”, o ativista Freitas, assumindo postura de porta-voz de um reduzido número de generais, diz o seguinte:

– É fácil constatar a ação coordenada dos militares integrantes do governo: todos, menos um, silenciaram ao mesmo tempo. Nem mesmo o general Augusto Heleno, imagine-se a que custo, se oferta a um microfone ou gravador. Todos, menos um: o general Hamilton Mourão. O encarregado de falar. Para marcar posições que o identifiquem mais como general, mais com o Exército e mais com a corporação militar do que como integrante do governo.

– O falastrão não está falando só por si. Cumpre o papel recebido e dá voz a um segmento. Mesmo dentro do governo, como em recente e enérgico reparo a uma iniciativa de política externa adotada sem uma prévia consulta ao Ministério da Defesa.

(Com a divulgação de tal informe repassado por JF, e não desmentido até agora pelos interessados, a nota anteriormente publicada no Globo por Ancelmo Gois (autoconsiderado “protegido” da KGB) de que o guru de Mourão era o histriônico Levy Fidelix – dono do PRTB, partido ao qual o enturmado general filiou-se – fica, por enquanto, no limbo. Aqui, no entanto, gostaria de ir um pouco além e transcrever comentário de leitor abalizado, que se identifica pelas iniciais FCML22 e diz: “Mourão é antes de tudo um seguidor das ordens dos Gens. Eduardo Villas Boas, Sérgio Etchegoyen e Fernando Azevedo e Silva, pela ordem, todos pró-comunistas, além de ser também um mega-deslumbrado com a mídia em geral, como todo e qualquer militar das FFAA em cargos de comando”).

Dito isto, vamos ao que interessa: em primeiro lugar, é preciso dizer que as provocações do burlesco general não convivem, de modo algum, com o “senso comum”. Elas são simplesmente abominadas pela maioria da população e a totalidade dos que elegeram Bolsonaro e suas propostas de mudar o Brasil.

Assim, considerar, por exemplo, como “reparo enérgico” o ato de Mourão ter recebido representantes de território palestino manobrado por terroristas da Jirad Islâmica para protrair, às costas de um Presidente sedado, a transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para a Jerusalém, compromisso assumido por Jair Bolsonaro – isto, sim, pode e deve ser encarado como ato de Alta Traição.

Por outro lado, admitir que prevaleça uma ação coordenada de militares integrantes do governo no sentido de controlar ou vestir uma camisa de força política no presidente eleito sob a justificativa de que eles são “estrategistas”, soa como uma completa ignomínia. De minha parte, considero que a adoção de “estratégia” dessa  ordem significa exatamente minar os valores e os compromissos assumidos pelo Presidente da República.

De passagem, devo lembrar que Jair Bolsonaro há mais de 20 anos, enquanto deputado federal em Brasília, enfrentou, de peito aberto e de forma veemente, a hegemonia de uma esquerda cevada há mais de quatro décadas no poder,  amparada na institucionalização da mentira, na subversão escancarada e na corrupção sem limites.

Ademais, lembro que Bolsonaro, à margem combater a peçonha comunista de FHC, Lula e Dilma Rousseff, assumiu, sozinho, sem

“estrategistas” ao seu lado, a defesa  intransigente do Exército brasileiro, vilipendiado como ditatorial e torturador numa “guerra suja” iniciada pela comunalha ávida de tomar o poder muito antes da intervenção militar exigida pelas massas.

De fato, foi testemunhando o solitário desempenho de Bolsonaro no Congresso que a população, de saco cheio com a   “hegemonia” vermelha passou, de forma gradativa, porém irreversível, a respeitá-lo e admirá-lo. Já nas  manifestações de 2013, o deputado mais bem votado do Brasil, em sintonia fina com a vontade nacional, foi encarado pelos eleitores como uma possível força

capaz de desalojar as esquerdas e abrir novas alternativas para a nação, a  despeito da permanente sabotagem da mídia amestrada.

(Nota: a trupe militar dentro do governo, tendo Mourão como porta-voz, segundo se diz, é versada em matéria de guerra psicológica e na formatação de estratégias políticas. Esse pessoal me faz lembrar o general Golbery do “Colt” e Silva, Chefe da Casa Civil do governo Geisel, tido pelo aloprado Glauber Rocha – sempre atrás da grana fácil da Embrafilme – como o “Gênio da Raça”. Golbery, com a teoria da “panela de pressão”, entregou aos comunas a Embrafilme, as instituições culturais do governo, as universidades públicas e as empresas estatais (mais de 700). Sub-intelectual pretensioso, o “estrategista” da chamada abertura “lenta, gradual e segura” permitiu que figuras como Brizola, Arraes, Darcy Ribeiro, Gabeira, Betinho “Defensor do Povo” etc., voltando ao Brasil, assumissem em pouco tempo o poder. Resultado: criaram-se as comissões dos Direitos Humanos e grupos do Tortura Nunca Mais, todos integrados por petistas, que passaram a jogar lama nas FFAA e no “golpe de 64” (de fato, um contragolpe). Em seguida, sumiram com a “anistia geral e irrestrita”, que passou a funcionar de um lado só. De quebra, num autêntico mata-leão, criaram a bilionária (e infindável) indústria das indenizações políticas para opulência e glória das “vítimas da ditadura”. E deu no que deu.

Marx, o grande charlatão do confuso “O Capital”, dizia que a história não se repete – ou se repete apenas como farsa. Papo. A história se repete, sim: basta observá-la. Os atuais estrategistas militares dentro do governo, tal como Golbery, pensam que podem conviver com os comunistas na base da maciota ou da diplomacia, sem se associar ou alimentar o sistema vermelho. É um tremendo erro de cálculo, um risco que nenhum tipo de estratégia pode encampar: os comunistas são incansáveis, insaciáveis, e tentar contê-los é como cuidar de secar o mar com um balaio.

Por sua vez, o leal Bolsonaro, que os conhece instintivamente, tornou-se, no transcorrer da batalha eleitoral, um líder valoroso, detentor de qualidades  ingênitas que nenhum “sistema” deve  tolher ou se dar ao desplante de cercear.

Eia, pois, sus!

P S – Numa entrevista concedida à patota da Globo News, o folclórico  Mourão revelou ser um “homem dedicado à cultura”. E, para provar que não estava mentindo, afirmou: “Leio até os livros da Miriam (Leitão)”.

Pior: concordando com o tatibitate Merval Pereira, que disse não haver leis de incentivos culturais no Brasil, o general pregou a necessidade de se ter mais fundações (burocracia), verbas (a fundo perdido) e o apoio da iniciativa privada (isenções fiscais). Em suma, tudo aquilo que já existe e que os comunistas adoram!

Há, aqui, a velha prática da desinformação compreensível no jornalismo de Merval, profissional da Globo. Mas um general que se diz “dedicado à cultura” não saber da existência da Lei Rouanet, da Lei do Audiovisual, do Fundo Setorial do Audiovisual, do Fundo das Loterias, entre outras leis fincadas em cima de subsídios e isenções fiscais a torrar mais de R$ 20 bilhões anuais sacados dos cofres público e do indefeso contribuinte… bem, isto é ignorância, Ou pura má fé.


Originalmente publicado no Diário do Poder.

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