Explicação necessária: o fato de uma empresa, barragem, boate, avião, helicóptero ou barco terem “alvará”, “licença”, “registro” ou seja lá qual for o nome do papel exigido pelo Estado, NÃO significa que estejam adequados para suas funções.

É óbvio que o Estado não tem condições para inspecionar todos os lugares ou veículos.

É óbvio que, em muitos casos, a inspeção fake é “vendida” por funcionários corruptos.

Já está na hora da sociedade brasileira e da mídia entenderem que só a certeza da punição garante a segurança do cidadão.

Quer abrir uma loja? Não precisa de alvará nem permissão nenhuma. Vai na internet e pega as regras de segurança. Se você não seguir as regras e houver um problema – se alguém for morto ou ferido por negligência sua – você vai passar alguns anos de sua vida na cadeia.

Cadeia. Não é multa. Não é “prestação de serviços comunitários”. Não é doação de “cestas básicas”.

É CADEIA.

“Mas prender a pessoa só vai criar mais um criminoso, porque ela vai sair da prisão pior do que entrou”.

Esse é a Lei de Marcelo Freixo. A garantia da impunidade.

Graças a ela tivemos:

– 55 mortos no Bateau Mouche.

– 242 mortos na boate Kiss.

– 19 mortos em Mariana.

– 166 mortos em Brumadinho.

– 47.000 mortos no trânsito todos os anos.

– 63.000 pessoas assassinadas todos os anos.

Não são alvarás, certificados ou fiscais que vão garantir a nossa segurança.

Nossa única garantia é a certeza da punição dos responsáveis.

Quem tem pena dos lobos sacrifica as ovelhas.


Roberto Motta é engenheiro civil (PUC-RJ), Mestre em Gestão de Empresas (FGV-RJ); segundo suplente de deputado federal, ex-secretário do Conselho de Segurança e atualmente Assessor Especial do Governador do Estado do Rio de Janeiro.

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